Mesmo com a abertura da Estrada Parque, em Guajará-Mirim
(RO) como rota alternativa para eixo da BR-364, as condições da estrada
são precárias e as pessoas têm medo de se arriscarem. A cheia histórica
do Rio Madeira influenciou outros rios da região e inundou a rodovia
425. Pela estrada parque, o trajeto de carro de Guajará-Mirim até Porto
Velho demora 12 horas, pois há muitos trechos com atoleiros.
Nesta quarta-feira (16), uma empresa de ônibus começou a operar no
trecho ainda em período de experiência, as passagens custam R$ 87. Os
taxistas estão cobrando R$ 200 por pessoa para levar passageiros pelo
desvio de União Bandeirantes. Via aérea as duas empresas que se revezam
em dois horários por dia, cobram R$ 350. Antes da cheia, a passagem de
ônibus custava R$ 55 e o táxi R$ 80. Não havia voos antes da situação de
isolamento parcial.
“A estrada parque não tem ainda condições de tráfego. Sempre tem
passageiro que precisa ir pra Porto Velho e estamos fazendo a rota por
União Bandeirantes, que fica ruim quando chove”, diz o taxista Raimundo
Mazarope, que faz o trajeto em 10 horas quando a estrada está seca.
Os taxistas ainda falam que depois que a balsa saiu de Jaci-Paraná,
ficou melhor, pois não há fila para atravessar. “Já ficamos 12 horas na
fila, esperando para atravessar na balsa e já tive que passar a noite
na estrada de União Bandeirantes por causa de atoleiro depois de uma
chuva”, conta Marcos Nogueira.
Com os altos preços das passagens e da dificuldade de sair da cidade
por conta das condições da estrada, muitas pessoas estão optando por
passar o feriado em casa. “O ônibus não está definido ainda. O preço do
táxi está alto, mas é a alternativa que a gente tem. Moro em Jaru e
preciso chegar na minha cidade até segunda (21)”, conta Délio da Silva,
bombeiro. “Antigamente com R$ 300 eu ia e voltava pra Porto Velho com a
minha família. Hoje gasto muito mais indo sozinha” diz Janaina Candéa.
Os hotéis, fechados ou funcionando apenas para a manutenção desde a
interdição da rodovia 425 em fevereiro, não esperam hóspedes para esse
período. “Ano passado, como todos os outros, ficávamos cheios na Semana
Santa. Hoje, estamos vazios, esperando que recuperem a cidade e a
estrada o quanto antes”, afirma Maria de Fátima Almeida, hoteleira.
A cheia do Rio Madeira, que atingiu a marca histórica de 19,74 metros, isolou os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré,
quando os afluentes Ribeirão e Araras invadiram a pista de acesso as
cidades. Uma rota de emergência foi criada por União Bandeirantes e
Jacy-Paraná.
Após impasse judicial, a Estrada Parque foi aberta, interligando os
municípios isolados à Buritis. Nesta terça-feira (15), houve nova
votação a respeito da conclusão da estrada, que foi vencida por
unanimidade pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal em
Brasília. O trecho de 12 quilômetros dentro do parque estadual
Guajará-Mirim segue em obras, tendo 6 quilômetros de estrada
encascalhada.
Segundo o DER, após a chuva ter levado uma das pontes de madeira,
outra já está sendo providenciada. O término das obras não pode ser
previsto, pois o trabalho com o cascalho na pista só pode ser feito com
tempo ensolarado.
Fonte: G1.
