Médicos da Força Nacional de Saúde chegaram a Guajará-Mirim
(RO) na manhã desta quinta-feira (27). A equipe formada por dois
médicos, dois enfermeiros e dois auxiliares de enfermagem vai atuar no
socorro às vítimas da enchente histórica dos rios Madeira e Mamoré, que
já atingiu mais de 760 famílias da região. Segundo o governador Confúcio
Moura, que acompanhou os especialistas na viagem, a equipe de saúde
deve ficar no município até o dia 2 de abril. O Rio Mamoré atingiu cota
histórica no dia 17 de março, quando marcou 13,21 metros. Nesta quinta, o
nível está em 14,22 metros, elevação de um metro em apenas 10 dias.
Os médicos da Força Nacional irão a campo junto com médicos locais para
atuar no combate a doenças. As equipes vão atender atingidos e elaborar
relatórios diários que serão encaminhados a Brasília. Caso seja
necessário, Confúcio Moura garantiu que a permanência dos médicos poderá
ser prorrogada, na região. “A necessidade é não deixar que doenças
graves venham acometer a cidade. Temos que agir agora”, afirmou o
governador ao desembarcar no Aeroporto de Guajará-Mirim com a equipe
médica.
Durante a visita à região, Confúcio Moura afirmou que a situação no
município é grave. "Além de isolados, [Guajará-Mirim e Nova Mamoré]
estão ilhados. A nossa situação já é veiculada em todo lugar. Estive em
Brasília em vários ministérios, levantando essa situação”, garante o
governador. A situação na região de fronteira com a Bolívia se agravou
em fevereiro, quando a BR-425 foi fechada, porque a água do Rio Araras, afluente do Madeira, invadiu a pista da rodovia federal e inundou o asfalto e as pontes.
"A nossa expectativa é atender aos pacientes clínicos, de emergência,
traumas, gestantes, que estejam precisando de tratamento adequado neste
momento de crise. A partir de hoje, todos os pacientes que necessitarem
serão transferidos para hospitais com vaga garantida. Faremos um
trabalho de prevenção, pois quando baixarem as águas, ocorrem situações
comuns de doenças pós-enchente. Somos uma equipe especializada, treinada
para situações de extrema necessidade”, afirma coordenador da equipe
médica da Força Nacional de Saúde, Lissandro Luis da Silva.
Em março, o Rio Mamoré registrou enchente histórica e vários bairros e a
região central de Guajará estão inundados. Na terça-feira (25), o
prefeito de Guajará, Dulcio Mendes, decretou estado de calamidade. A
medida, segundo o governo estadual, agiliza o processo de reconstrução
da cidade, pois permite compras e ações rápidas, desde que hajam
informações contidas no sistema da Defesa Civil.
Segundo a secretária de Saúde do município, Alexandra Tanaka, o posto
de saúde Maria Augustinho será a base de atendimento dos médicos da
Força Nacional. Além do município, a equipe irá atuar em dois distritos
também afetados pela cheia - Surpresa e Iata. Dados atualizados do Corpo
de Bombeiros indicam que Guajará-Mirim e Nova Mamoré têm mais de 760
famílias atingidas. Cinquenta e oito estão desabrigadas em Guajará e 556
foram desalojadas; Nova Mamoré já contabiliza 123 famílias desalojadas e
24 desabrigadas.
Fonte: G1
