O aliciamento de jovens para o tráfico de drogas na região é corriqueiro, muitos não conseguem 'escapar'. Mas alguns dão exemplos de superação.
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| (Foto: Cleilson Sales/Divulgação) |
Com baixa estatura, Jesus de Oliveira Brasil não pôde realizar o sonho
de ser jogador profissional de basquete. Mas movido pela paixão pelo
esporte, no dia 12 de junho de 1997, criou o Clube Amigos do
Basquetebol, que atende cerca de 300 jovens. O que ele considera quase
uma 'salvação' para a violência que assola o município de Guajará-Mirim,
em Rondônia. Ele conta que a inspiração veio das ações de Oscar e
Hortência, ex-jogadores da Seleção Brasileira de basquete.
- Li uma reportagem em uma revista e tive a inspiração, pois o amor
pelo esporte eu sempre tive. Então com ajuda de amigos, ainda na década
de 1980, surgiu o Clube do Passeio - lembra.
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| Clube Amigos do Basquetebol em Guajará-Mirim, Rondônia (Foto: Cleilson Sales/Divulgação) |
- A demanda do projeto foi aumentando e aos poucos a procura pelo basquete também, o que me deixou muito feliz. O número de alunos cresceu significativamente e nos tornamos o Clube Amigos do Basquete - explica.
E a família só aumenta. Cerca de 60 alunos treinam por turno, diariamente, com folga apenas às terças-feiras. O pré-requisito para entrar na equipe é, basicamente, o respeito.
Alunos do CAB (Foto: Cleilson Sales/Divulgação)
- Tem que respeitar o próximo, tirar boas notas e sem dúvida ter bom
comportamento. Mas claro que não é sempre assim. Além das crianças que
procuram o esporte, temos os jovens que procuram no projeto uma espécie
de ‘salvação’ do mundo do crime ou de qualquer tipo de violência –
ressalta.
Marco Gregório Rojas dos Santos, de 27 anos, ex-militar, frequenta o
CAB desde os 13 anos. Ele conta que é difícil ser adolescente em cidade
de fronteira. E que conheceu o projeto na hora certa.
- Quando cheguei à cidade, vindo de São Paulo, desconhecia a realidade local e logo me tornei ‘amigo’ de todos os tipos de pessoas. Meu comportamento começou a mudar, principalmente com a minha família. Foi quando na escola recebi o convite para conhecer o CAB. Nesses anos já convivi com pessoas que mudaram o seu ‘rumo’ para o bem, por ter onde ir nas noites de quarta a segunda-feira (dias do projeto). Até hoje, eu frequento o clube e quando tiver um filho vou incentivá-lo também, pois na minha opinião durante a noite é o melhor lugar para estar em nossa cidade – relata
Segundo Jesus, o aliciamento de jovens para o tráfico é corriqueiro e muitos não conseguem 'escapar'.
- Quando cheguei à cidade, vindo de São Paulo, desconhecia a realidade local e logo me tornei ‘amigo’ de todos os tipos de pessoas. Meu comportamento começou a mudar, principalmente com a minha família. Foi quando na escola recebi o convite para conhecer o CAB. Nesses anos já convivi com pessoas que mudaram o seu ‘rumo’ para o bem, por ter onde ir nas noites de quarta a segunda-feira (dias do projeto). Até hoje, eu frequento o clube e quando tiver um filho vou incentivá-lo também, pois na minha opinião durante a noite é o melhor lugar para estar em nossa cidade – relata
Segundo Jesus, o aliciamento de jovens para o tráfico é corriqueiro e muitos não conseguem 'escapar'.
- A violência é evidente no nosso município, não há como negar. Só aqui
(no clube) há cinco garotos que saíram do mundo das drogas e entraram
no esporte. O nosso maior orgulho está nesses alunos que conseguimos
resgatar, é algo impagável vê-los saudáveis e com outra postura. Uma
grande satisfação - destaca.
Jesus explica que o projeto vai além do esporte. Os atletas participam de palestras, cursos e passeios.
- Não queremos revelar jogadores para grandes clubes. Será
interessante se acontecer, mas aqui, nossa meta é formar homens e
mulheres de bem - completa.
Guajará-Mirim, Rondônia, fronteira com Brasil e Bolívia (Foto: Google Maps)
Fonte: Globoesport.com

