A rotina dos irmãos Edvan e Ludvan Dantas, de 16 e 17 anos é
corrida e fora do normal. Os meninos que moram em Guajará-Mirim cursam o
9º ano do ensino
fundamental durante a manhã, de segunda a sexta-feira, e durante a noite
treinam jiu-jítsu, de graça, em uma academia de artes marciais na
cidade. Mas diferente de muitos praticantes da arte suave, nos finais de
semana é que a rotina desses garotos fica ainda mais surpreendente. No
sítio da família, Edvan e Ludvan trabalham na roça, plantando macaxeira,
torrando farinha e cuidando os bichos.
Como a realização de um sonho, os jovens contam que conheceram o jiu-jítsu há pouco mais de
um ano e já são considerados uma “promessa” na modalidade para representar o
estado.
- No início eu não acreditava que eles
fossem se dar tão bem na luta. Eu até brigava, tinha medo que eles se
machucassem durante o treino e
não pudessem ajudar o pai na roça, mas eles se deram muito bem - lembra a
mãe dos garotos, Lucilene Viriato
Dantas, que tem outras três filhas.
O esforço valeu a pena.
Durante o 13º Campeonato
Estadual de Jiu-Jítsu, realizado em outubro e primeira competição que os
irmãos Dantas participaram eles conquistaram duas medalhas de ouro;
Edvan, na categoria infanto-juvenil pena e Ludvan, na categoria juvenil
pena.
Apesar de tão jovem, as mãos calejadas de Edvan é resultado
de anos de trabalho pesado na roça. Para comprar o kimono ele teve que capinar
um terreno medindo 20 X 30 m².
Foram duas semanas capinando o terreno para finalmente
parar de treinar de gandola e fazer tudo como deve ser feito - comemora Edvan.
Ludvan já tem o kimono, mas ainda não terminou de pagar. No
período da tarde sempre que pode, trabalha como ajudante de pedreiro para
quitar a dívida.
- Eu trabalho em construções e na roça, mas
sonho em estar no Bellator - conta Ludvan, que diz sonhar acordado enquanto
enfrenta o sol quente para ajudar a manter a família.
Além de
Victor Belfort, os irmãos tem como ídolo Hélio
Grace, mestre que difundiu o jiu-jítsu no Brasil. Mas muito além do
dinheiro e do reconhecimento que o esporte pode proporcionar, os irmãos
querem fazer mais por quem não tem, assim como eles, condições de se
manter com tranquilidade na luta.
- Eu e o Edvan temos um sonho
em comum, ser lutadores reconhecidos mundialmente e ter a oportunidade de
ensinar jiu-jítsu para pessoas como a gente, que não tem incentivo e muito
menos condições de pagar uma academia - comenta o garoto.
O treinador, Eduardo Assunção, afirma que os atletas tem um
diferencial.
- Eles não têm medo de encarar os desafios, são bons lutadores
tanto no tatame quanto na vida. Acredito no potencial deles - afirma Assunção.
Fonte: G1


