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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Promessas do jiu-jítsu se dividem entre trabalho na roça e treinos

A rotina dos irmãos Edvan e Ludvan Dantas, de 16 e 17 anos é corrida e fora do normal. Os meninos que moram em Guajará-Mirim cursam o 9º ano do ensino fundamental durante a manhã, de segunda a sexta-feira, e durante a noite treinam jiu-jítsu, de graça, em uma academia de artes marciais na cidade. Mas diferente de muitos praticantes da arte suave, nos finais de semana é que a rotina desses garotos fica ainda mais surpreendente. No sítio da família, Edvan e Ludvan trabalham na roça, plantando macaxeira, torrando farinha e cuidando os bichos. 


Como a realização de um sonho, os jovens contam que conheceram o jiu-jítsu há pouco mais de um ano e já são considerados uma “promessa” na modalidade para representar o estado. 

- No início eu não acreditava que eles fossem se dar tão bem na luta. Eu até brigava, tinha medo que eles se machucassem durante o treino e não pudessem ajudar o pai na roça, mas eles se deram muito bem - lembra a mãe dos garotos, Lucilene Viriato Dantas, que tem outras três filhas.


O esforço valeu a pena. Durante o 13º Campeonato Estadual de Jiu-Jítsu, realizado em outubro e primeira competição que os irmãos Dantas participaram eles conquistaram duas medalhas de ouro; Edvan, na categoria infanto-juvenil pena e Ludvan, na categoria juvenil pena. 

Apesar de tão jovem, as mãos calejadas de Edvan é resultado de anos de trabalho pesado na roça. Para comprar o kimono ele teve que capinar um terreno medindo 20 X 30 m². 

Foram duas semanas capinando o terreno para finalmente parar de treinar de gandola e  fazer tudo como deve ser feito - comemora Edvan.

Ludvan já tem o kimono, mas ainda não terminou de pagar. No período da tarde sempre que pode, trabalha como ajudante de pedreiro para quitar a dívida. 

- Eu trabalho em construções e na roça, mas sonho em estar no Bellator - conta Ludvan, que diz sonhar acordado enquanto enfrenta o sol quente para ajudar a manter a família.

Além de Victor Belfort, os irmãos tem como ídolo Hélio Grace, mestre que difundiu o jiu-jítsu no Brasil. Mas muito além do dinheiro e do reconhecimento que o esporte pode proporcionar, os irmãos querem fazer mais por quem não tem, assim como eles, condições de se manter com tranquilidade na luta. 

- Eu e o Edvan temos um sonho em comum, ser lutadores reconhecidos mundialmente e ter a oportunidade de ensinar jiu-jítsu para pessoas como a gente, que não tem incentivo e muito menos condições de pagar uma academia - comenta o garoto.


 O treinador, Eduardo Assunção, afirma que os atletas tem um diferencial.
- Eles não têm medo de encarar os desafios, são bons lutadores tanto no tatame quanto na vida. Acredito no potencial deles - afirma Assunção.

Fonte: G1