![]() |
| Raimundo Lopes (84 Anos) |
Na semana passada a população de Guajará- Mirim acompanhou pelos
programas do rádio e também pelos sites locais da Internet a notícia da
abordagem, apreensão de carabina portátil usada para caça e defesa
pessoal e intimação de dois sitiantes que residem em uma colocação
localizada no Rio Pacaas Novos.
A operação, levada a cabo pela Polícia Ambiental, em conjunto com a
Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do Estado (Sedam) realizou auto
de flagrante no cidadão Raimundo Lopes, soldado da borracha, agricultor,
morador do terreno em questão, e seu caseiro. Contra estes colonos
pesaram acusações de cultivo ilegal de minifúndio e posse ilegal de
recursos letais. Vítimas de um vexame sem tamanho, tratados como
potenciais marginais e obrigados a se deslocar até a cidade, os
sitiantes passaram a humilhação de ficarem inertes e sem saber o que
acontecia até estarem diante do bureal da Polícia civil para prestarem
ciência dos fatos.
Diante da revolta popular contra os abusos de poderes e maneiras
sádicas de aplicar as leis, os vereadores de Guajará-Mirim agiram a
altura. Na última sessão ordinária o que não ficou faltando no cardápio
foram discursos inflamados. A cólera e a indignação de alguns edis
chegavam a contagiar o público presente. “A Polícia é paga com o
dinheiro da população para proteger e não para constranger.
A opressão contra estes pacatos cidadãos extrapolou os limites da
ignorância. As cenas de humilhação que viveram é uma mácula que irão
carregar pelo restante de suas vidas”, esbravejou um parlamentar.
Em seu programa de rádio, o vereador Jorge Câmara deu ênfase a
celeuma e ressaltou que os organismos de repressão e fiscalização
precisam ter mais sensatez sobre aquilo que é correto e aquilo que é
injusto. “Por quê ao invés de perseguir estes cidadãos, o governo não
lhes oferece garantias e condições para sua permanência nestes setores
isolados em que habitam, sobrevivem e protegem?”, enfatizou o radialista
e vereador.
No caso exposto, a Câmara tomou uma posição e se manteve do lado do
povo. Os dois guardiões da floresta estavam apenas lavrando uma pequena
porção do terreno em que residem para a plantação de macaxeira com o
objetivo de fazerem economia de subsistência. Quanto a apreensão da
carabina, é uma questão da cultura do povo que habita as florestas e
beiradas de rios caçarem animais silvestres para o seu sustento.
O que se precisa é reformar os códigos ambientais pra lá de arcaicos
fazendo projetos de evolução de tecnologia com projetos para a evolução
destes povos. Poderia se começar fazendo um projeto para a caça
responsável para sustento e fonte de alimentos de animais que não
estejam em perigo de extinção ou quando as atividades de pesca e
agricultura estejam insuficientes. Nos países do primeiro mundo a caça é
uma atividade regulada há centenas de anos.
Ao se manifestar sobre esta situação, procurar respostas e exigir
posturas junto aos “Manda-chuvas” e “Cacetes-grossos” de plantão, a
Câmara Municipal apenas está cumprindo uma de suas obrigações por
excelência, que é a de defender seus munícipes.
Autor: Fábio Marques
Foto: Guajaranoticias
