A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou
na noite desta quarta-feira o controverso projeto de lei que legaliza a
produção e o consumo da maconha no país, enviando o expediente ao
Senado, onde a medida também deve ser aprovada graças ao controle dos
governistas da Frente Ampla na casa legislativa.
Com a maioria governista na Câmara, o texto foi aprovado por 50 dos 96
deputados presentes – a oposição rejeitou o projeto em bloco. Mas a
sessão não foi nada tranquila. Após quase 14 horas de debate, havia
muita incerteza em torno do êxito da proposta porque um dos
parlamentares da Frente Ampla, Darío Pérez, não se mostrava a favor e
ameaçava votar contra – sem seu aval, o texto podia ser rejeitado caso
toda a oposição votasse contra.
No entanto, no final o projeto de lei contou com o voto a
favor de Pérez, que apoiou a iniciativa por lealdade a seus companheiros
de partido, mas fez questão de expressar sua inconformidade com
palavras duras. "A maconha é uma merda. É inimiga do estudante, do
trabalhador e da vida. E o importante é que é uma merda com ou sem lei",
afirmou o deputado do partido governista.
Apesar das ressalvas, Pérez disse que a iniciativa é um dos "projetos
mais impactantes da legislatura" propostos pelo presidente José Mujica e
que implica uma "mudança de paradigma do tema da droga". A aprovação
foi recebida com aplausos por cerca de 100 defensores da legalização da
maconha que acompanharam a sessão.
O projeto – O texto aprovado transforma o estado
uruguaio no primeiro do planeta a assumir o controle de todo o processo
de produção e venda da maconha. Apresentado em junho de 2012 em um
pacote de medidas para combater o aumento da violência, a proposta prevê
o controle do estado sobre a importação, plantio, cultivo, colheita,
produção, aquisição, armazenamento, comercialização e distribuição da
maconha e seus derivados.
Após o devido registro de suas identidades junto ao governo, os usuários com mais de 18 anos poderão comprar até 40 gramas mensais de maconha nas farmácias, mas também será permitido o cultivo para consumo próprio – até seis pés da planta por pessoa. O projeto que legaliza a maconha no Uruguai, apesar de promovido pela administração do presidente José Mujica, é rejeitado por 63% da população, segundo recente pesquisa do instituto Cifra, que trouxe resultado semelhante a outros levantamentos feitos desde o ano passado. Sobre esta rejeição, o deputado Darío Pérez declarou: "Me parece perigoso governar sem levar em conta a opinião do povo".
Após o devido registro de suas identidades junto ao governo, os usuários com mais de 18 anos poderão comprar até 40 gramas mensais de maconha nas farmácias, mas também será permitido o cultivo para consumo próprio – até seis pés da planta por pessoa. O projeto que legaliza a maconha no Uruguai, apesar de promovido pela administração do presidente José Mujica, é rejeitado por 63% da população, segundo recente pesquisa do instituto Cifra, que trouxe resultado semelhante a outros levantamentos feitos desde o ano passado. Sobre esta rejeição, o deputado Darío Pérez declarou: "Me parece perigoso governar sem levar em conta a opinião do povo".
Reformas – Desde 2005, com a chegada à
Presidência da Frente Ampla, de centro-esquerda, o governo uruguaio vem
investindo na aprovação de reformas sociais de caráter liberalizante,
mas contestadas por alguns analistas. Além da estatização da produção e
da comercialização da maconha, estão nesse âmbito a descriminalização do aborto (com restrições), aprovada pelo Congresso em outubro de 2012, e o casamento gay, legalizado em abril deste ano – a união civil de pessoas do mesmo sexo, porém, já estava em vigor desde 2007.
O problema com algumas propostas, afirmam os críticos, é que muitas
vezes elas são assistencialistas demais e pouco contribuem com o
desenvolvimento do país como um todo, apesar de ampliarem, como no caso
do casamento gay, os direitos dos cidadãos. Além disso, membros da
oposição consideram que Mujica fez imposições à população. Francisco
Gallinal, senador pelo Partido Nacional, criticou o projeto de lei sobre
a maconha, considerado por ele pouco sensato.
Para completar, em meados do ano passado, a ONU alertou o Uruguai que a legalização da maconha viola a Convenção das Nações Unidas sobre Drogas. Assim
como no caso da lei que descriminalizou o aborto, as decisões do
governo uruguaio estão longe do consenso e a resistência de um grande
número de parlamentares em todos os casos é evidência disso.
Fonte: Com agências EFE e France-Presse
