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sábado, 20 de julho de 2013

SOS: Biblioteca Municipal de Guajará-Mirim

Depois de várias denúncias feitas à imprensa, nenhuma providência foi tomada ainda pela atual administração no tocante ao estado de penúria e abandono da biblioteca pública de nossa cidade. Passados quase sete anos da fatídica noite em que o madeirame cedeu e desabou com forro e tudo na grande sala de pesquisas e leitura, e onde graças aos céus, este sinistro só não teve consequências mais trágicas porque no momento não havia ninguém no recinto, agora só nos resta lamentos e tristeza frente ao monte de escombros que restou da construção.

A biblioteca municipal de Guajará-Mirim está entregue ao Deus-dará. Com vidros das janelas quebrados e muitas cadeiras, estantes e prateleiras dentro de sua estrutura física sendo deterioradas pela ação das chuvas ocasionais e pelos marginais que frequentam e danificam o órgão público, cupins tomando de conta do restante do madeirame, rachaduras e infiltrações nas paredes e sala de recepção em vias de desabar, a biblioteca hoje está literalmente às moscas. É fácil encontrar pessoas dentro e nos fundos do prédio da biblioteca, algumas praticando ilícitos e até sexuais. As quatro funcionárias que atendiam e cuidavam do acervo cultural do espaço à época viviam em permanente estado de medo. Hoje elas estão prestando serviço provisório no Centro Cultural.

Os moradores que residem nas cercanias do prédio herdaram a alta tensão nervosa das serventes e hoje vivem em constante clima de medo e insegurança devido a extensão da área da biblioteca e pelo fato de a mesma não ter iluminação pública. O espaço vem sendo há muito tempo freqüentado por usuários de drogas e até mesmo por casais que aproveitam a área isolada pela pirâmide para fazer sexo. “À noite é fato corriqueiro entrarem pessoas estranhas dentro da biblioteca e que ficam a noite inteira por lá fazendo Deus sabe o quê…”, reclama uma moradora do bairro.

Segundo se pôde apurar, os livros que após o “dilúvio” ficaram todos amontoados no piso da sala de recepção, também foram levados para o Centro Cultural. Alguns estão em vias de se deteriorarem em virtude da umidade recorrente no local, tem pouca luminosidade, é mal ventilado e está cheio de goteiras. Muitos se perderam por ocasião da tempestade que pôs o telhado da biblioteca abaixo.  
    
Mais triste ainda é ver o descaso de quem deveria fazer alguma coisa em prol do patrimônio no que diz respeito à uma completa reforma do prédio. Na época da administração Dedé de Melo, uma equipe de quebra-galhos e tapa-buracos esteve no local fazendo um trabalho de reparos e remendos, mas que não resistiu ao primeiro temporal. Quanto ao prefeito posterior, Atalíbio pegorini, parece que o mesmo era muito mais chegado em festas de rodeio e vaquejadas do que em cultura. O atual prefeito, Dúlcio Mendes, apesar do vínculo com a Academia de Letras de Guajará e da autoria de apotegmas e reflexões com publicagem impressa, até agora não demonstrou o mínimo interesse pela reforma do espaço.

O abandono e o descaso com a biblioteca pública é fato, e isso tem gerado insatisfação no universo estudantil, acadêmico e nos representantes dos professores de Guajará-Mirim. Não podemos mais nos contentar com medidas paliativas e socorristas de última hora, que são importantes, mas não são suficientes.


Fonte: Portal Guajará / Autor: Fabio Marques