Depois de várias denúncias feitas à imprensa, nenhuma providência foi
tomada ainda pela atual administração no tocante ao estado de penúria e
abandono da biblioteca pública de nossa cidade. Passados quase sete anos
da fatídica noite em que o madeirame cedeu e desabou com forro e tudo
na grande sala de pesquisas e leitura, e onde graças aos céus, este
sinistro só não teve consequências mais trágicas porque no momento não
havia ninguém no recinto, agora só nos resta lamentos e tristeza frente
ao monte de escombros que restou da construção.
A biblioteca municipal de Guajará-Mirim está entregue ao Deus-dará. Com
vidros das janelas quebrados e muitas cadeiras, estantes e prateleiras
dentro de sua estrutura física sendo deterioradas pela ação das chuvas
ocasionais e pelos marginais que frequentam e danificam o órgão público,
cupins tomando de conta do restante do madeirame, rachaduras e
infiltrações nas paredes e sala de recepção em vias de desabar, a
biblioteca hoje está literalmente às moscas. É fácil encontrar pessoas
dentro e nos fundos do prédio da biblioteca, algumas praticando ilícitos
e até sexuais. As quatro funcionárias que atendiam e cuidavam do acervo
cultural do espaço à época viviam em permanente estado de medo. Hoje
elas estão prestando serviço provisório no Centro Cultural.
Os moradores que residem nas cercanias do prédio herdaram a alta tensão
nervosa das serventes e hoje vivem em constante clima de medo e
insegurança devido a extensão da área da biblioteca e pelo fato de a
mesma não ter iluminação pública. O espaço vem sendo há muito tempo
freqüentado por usuários de drogas e até mesmo por casais que aproveitam
a área isolada pela pirâmide para fazer sexo. “À noite é fato
corriqueiro entrarem pessoas estranhas dentro da biblioteca e que ficam a
noite inteira por lá fazendo Deus sabe o quê…”, reclama uma moradora do
bairro.
Segundo se pôde apurar, os livros que após o “dilúvio” ficaram todos
amontoados no piso da sala de recepção, também foram levados para o
Centro Cultural. Alguns estão em vias de se deteriorarem em virtude da
umidade recorrente no local, tem pouca luminosidade, é mal ventilado e
está cheio de goteiras. Muitos se perderam por ocasião da tempestade que
pôs o telhado da biblioteca abaixo.
Mais triste ainda é ver o descaso de quem deveria fazer alguma coisa em
prol do patrimônio no que diz respeito à uma completa reforma do prédio.
Na época da administração Dedé de Melo, uma equipe de quebra-galhos e
tapa-buracos esteve no local fazendo um trabalho de reparos e remendos,
mas que não resistiu ao primeiro temporal. Quanto ao prefeito posterior,
Atalíbio pegorini, parece que o mesmo era muito mais chegado em festas
de rodeio e vaquejadas do que em cultura. O atual prefeito, Dúlcio
Mendes, apesar do vínculo com a Academia de Letras de Guajará e da
autoria de apotegmas e reflexões com publicagem impressa, até agora não
demonstrou o mínimo interesse pela reforma do espaço.
O abandono e o descaso com a biblioteca
pública é fato, e isso tem gerado insatisfação no universo estudantil,
acadêmico e nos representantes dos professores de Guajará-Mirim. Não
podemos mais nos contentar com medidas paliativas e socorristas de
última hora, que são importantes, mas não são suficientes.
Fonte: Portal Guajará / Autor: Fabio Marques



