A manifestação dos moradores de Jacy-Paraná, que desde o início da manhã bloqueavam a BR-364 na estrada do distrito,
terminou em confronto com polícia no início da noite desta
quarta-feira. Em seguida, um grupo de manifestantes seguiu para frente
do quartel da PM, onde houve um novo confronto. Bombas de efeito moral e
balas de borracha foram utilizadas para controlar a situação. Moradores
classificaram a ação da polícia como desnecessária.
De acordo com a polícia, durante todo o dia houve diversas tentativas
de negociação para liberação da pista, mas não houve acordo. Um policial
militar, que preferiu não se identificar, relatou ao G1 que a COE
interviu na situação após uma viatura da PM, que seguia de Guajará-Mirim
para Porto Velho,
ter sido impedida de passar pelo bloqueio. Bombas de gás lacrimogêneo e
balas de borracha foram utilizadas para dispersar os manifestantes.
A funcionária pública Núbia de Souza da Silva, que participava da
mobilização, conta que um representante do governo do estado foi ao
local para negociar com os manifestantes, mas que sequer foi ouvido.
“Nós queríamos a presença do próprio governador, ou de representantes da
usina”, diz a funcionária pública.
Núbia afirma que a ação da polícia foi "desnecessária" e truculenta.
Segundo ela, parte dos manifestantes foi contra a liberação da pista,
mas que o ato seguia pacífico. “Ninguém estava armado, eram
trabalhadores ali, pais de família lutando por seus direitos. Até
crianças foram atingidas [por balas de borracha]”, disse a moradora.
Em seguida, um grupo de manifestantes seguiu para o quartel da PM no
distrito, atirando pedras contra os agentes. "Todo mundo ficou
revoltado", justifica a manifestante. A COE novamente interviu, com o
apoio da PM, e a situação só foi controlada por volta das 19h30. Ninguém
foi preso.
Uma reunião com representantes do movimento foi agendada para esta
sexta-feira (26) em Porto Velho, juntamente com representantes da Usina
de Santo Antônio, a fim de discutir a situação. Os moradores do distrito
temem que a região seja alagada com o aumento da cota do reservatório
da Usina Hidrelétrica Santo Antônio de 70,5 para 71,3 metros.
Entretanto, o consórcio construtor da obra afirma que moradores não
serão afetados e nem remanejados.
Fonte: G1
