Em meio a protestos em diversas cidades do Brasil, os Estados do
Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia e Roraima também se organizam por meio
de redes sociais para realizar manifestações durante a semana. No
Brasil, com o mote “Não são apenas 0,20 centavos”, além de se posicionar
contra o preço do transporte público, os protestos criticaram a
condução da política brasileira, a corrupção, os gastos públicos com as
obras para as copas das Confederações e do Mundo de 2014.
Em Manaus, o ato contra a tarifa de ônibus da capital amazonense será
realizado na próxima quinta-feira (20), na Praça da Matriz, às 17h. Os
manifestantes protestam contra a qualidade do transporte público e pedem
a redução da tarifa de ônibus. A mobilização é articulada por meio das
mídias sociais e mais de 30 mil pessoas, até esta terça-feira (18),
confirmaram a participação.
No último dia 7, a Prefeitura de Manaus abateu o valor de R$ 0,10 na tarifa, que passou a custar R$ 2,90, enquanto a meia-passagem custa R$ 1,45. Em coletiva de imprensa na segunda-feira (17), o prefeito de Manaus, Arthur Neto, afirmou que considera os protestos válidos. “Encaro com naturalidade. As pessoas tem direito de se manifestar, pois o transporte coletivo tem muito o que melhorar. Se me convidarem, eu vou estar lá”, afirmou.
Reunião para organizar protesto
Na última segunda-feira (17), pessoas se reuniram em assembleia geral na Praça Heliodoro Balbi, conhecida como Praça da Polícia, no intuito de organizar o ato ‘Movimento Pela Melhoria do Sistema Público de Transporte e Redução das Tarifas’. A data ficou fixada para a próxima quinta-feira (20).
Após deliberação e encaminhamentos, as propostas foram definidas, além da composição de comissões, que auxiliarão o bom andamento do protesto. As pautas de reivindicação são Redução do preço da passagem de ônibus para R$ 2 e passe livre estudantil; Implantação do Conselho Municipal de Transporte Público com membros da sociedade civil; conhecimento da população sobre os gastos públicos do transporte na cidade.
Um dos coordenadores do protesto, o estudante de Turismo, Erick Jonathan explica que o caráter da iniciativa, originalmente para pedir soluções aos serviços de transporte coletivo, ampliou para reivindicar melhorias na gestão pública como um todo. “A princípio, seria apenas para conseguirmos abatimento monetário na passagem dos coletivos. Entretanto, percebemos que isso é apenas a ponta do iceberg. Tem outros fatores tão ou mais ‘gritantes’ como a corrupção, a falta de moradia, educação ineficiente, precariedade na infraestrutura básica, além de outros problemas sofridos em Manaus, devido a uma gestão mal organizada”, disparou o estudante.
Embora o tom da passeata seja de desabafo e reivindicação, a organização deseja que tudo caminhe para a ordem. “Será um evento totalmente pacífico. Ao menos, é o que planejamos. Fazemos conscientização e lutamos contra o vandalismo. Também somos contra qualquer ato partidário. Somos todos de um movimento apartidário”, ressaltou Erick.
Ele diz que é esperada uma multidão para o dia 20, na Praça da Matriz. “Como conhecemos os amazonenses; sabemos que o povo aqui é quente! Esperamos, no mínimo, 100 mil pessoas”, garantiu.
Para o funcionário público estadual, Eros Augusto, a liberdade de expressão se torna importante, quando exercida com respeito e inteligência. “É preciso expor as nossas necessidades e reclamar aquilo que os nossos representantes devem realmente fazer. Isso se aplica a situações como estamos vendo agora: preço de passagens, melhorias nas áreas de saúde, educação, segurança, transportes e moradia, entre outros.
De acordo com ele, o povo está ‘entalado’ há muito tempo com a falta de prioridade, em vários campos sociais, pelos políticos. “Muitas coisas começaram a ser mascaradas através de atos puramente assistencialistas e fizeram um verdadeiro “encoleiramento” eleitoral. As pessoas passaram a se sentir satisfeitas com alguns benefícios e deixaram de enxergar as verdadeiras necessidades. Só que o problema expandiu de tal forma, que o povo não quer mais somente uma bolsa alguma coisa ou cesta básica”, concluiu Eros.
Amapá
A exemplo de outras capitais brasileiras, Macapá também se prepara para protestar contra as condições do transporte público no Estado. Nesta quarta-feira (19), haverá manifestação na Praça da Bandeira, no centro da cidade, a partir das 16h. A organização do movimento vai aproveitar a oportunidade para também reivindicar melhorias em outros setores públicos, como educação e saúde.
Quase 4 mil pessoas já confirmaram presença nas mídias sociais. Segundo um dos organizadores, Randerson Lobato, haverá protesto contra as condições dos ônibus, possível aumento da tarifa do transporte urbano de R$ 2,30 para R$ 2,69 e passe livre aos estudantes, além da corrupção. “Não podemos aceitar calados. Temos direito e devemos lutar por eles”, acrescentou.
A ideia da manifestação surgiu em conversas na internet após observarem os os protestos nos grandes centros urbanos do País. O movimento composto por diversos grupos pretende tornar a iniciativa em um Bloco de Debate Permanente.
Roraima
Impulsionados pela onda de protestos, alguns roraimenses organizaram a mobilização “Roraima também tem voz”, com intuito de apoiar as manifestações nacionais e protestar contra a PEC da Impunidade. O evento será realizado no sábado (22) e terá início na Praça das Águas, no centro de Boa Vista, a partir das 19h.
De acordo com um dos organizadores, o acadêmico de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, Rafael Brandão, a manifestação será pacífica. “Essa mobilização não tem cunho político. Não levantaremos nenhuma bandeira a não ser a do País. O movimento é uma forma de apoio às manifestações populares que estão ocorrendo no Brasil, além de barrar a aprovação da famigerada ‘PEC da Impunidade’, que retira o poder de investigação do Ministério Público. Isso enfraquece o combate à corrupção e à criminalidade em geral”, indagou Rafael. O estudante ainda enfatizou que o movimento quer informar o público sobre a lei complementar para regulamentar a tipificação e as penas para os crimes de terrorismo. A lei deve ser aprovada no próximo dia 27, e tem como um dos representantes o senador roraimense Romero Jucá (PMDB-RR).
Expectativa de público
A ideia do manifesto surgiu entre amigos e depois passou para a mídia social Facebook. Segundo Rafael, após criarem o evento na página, mais de três mil pessoas confirmaram presença e deram apoio em menos de 48h. A expectativa é reunir de 500 a 800 pessoas. “Estamos usando a Internet e, principalmente, o Facebook para divulgação. Ontem (segunda-feira) tivemos uma reunião com os organizadores e decidimos que, a partir de hoje, iremos às instituições de ensino, escolas e universidades para convidar o público”, explicou.
O evento começará na Praça das Águas, próximo ao Portal do Milênio, e depois seguirá com uma passeata para a Praça do Centro Cívico de Boa Vista. “A intenção é fazer a montagem de vários cartazes no momento, com a ajuda do público, para serem levados durante a passeata”, disse Rafael.
A acadêmica de direito da Faculdade Cathedral, Yasmin Aray, confirmou presença no evento. “Espero que as pessoas apareçam para questionar os nossos direitos, aproveitando esse momento de sensibilização. Não é questionar só a PEC 37, mas também os hospitais, as escolas sem professores, a fortuna que a gente paga de imposto e que não vemos retorno. O protesto é contra o descaso dos representantes políticos para com os brasileiros. Um governante não deve subestimar o poder do povo. Isso é uma grande lição de democracia”, desabafou.
De acordo com a assistente administrativa Jane Lopez da Costa, uma boa causa para os roraimenses terem revolta é a demarcação de terras Raposa Serra do Sol. “A maioria das pessoas lembra quando isso aconteceu. Pois é, nossos representantes nos deixaram na mão. Lembro que na eleição, Roraima foi um dos estados que menos votou no Partido do Trabalhador (PT) para presidente. Nosso estado sempre foi o grito isolado do Brasil, por isso é bom levar a sério os reais motivos da manifestação”, elencou a assistente.
Acre
Moradores do Acre também apoiam os protestos realizados em todo o Brasil. Na tarde desta terça-feira (19), mais de 6 mil pessoas confirmaram presença na primeira manifestação de Rio Branco, autointitulada “Vem pra Rua, Acre”. O evento está programado para acontecer nesta terça, às 16h, na entrada do Parque da Maternidade, no centro da capital acreana.
Na página do protesto, também em uma rede social, há ainda sugestões para o modo de comportamento dos protestantes no local. De acordo com um dos representantes, João Roberto Hernandez, bandeiras partidárias estão proibidas. “Todos que levarem bandeiras políticas serão expulsos e vaiados. Os que criarem badernas vão ser imobilizados e presos. A Polícia Federal estará presente, então, pensem bem antes de criarem tentativas de se infiltrar para badernas. É um movimento pacífico”, alertou João Roberto Hernandez.
Segundo outro organizador do evento, o estudante Gabriel Santos, as principais críticas são contra a PEC 37, a saída do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Marco Feliciano; a saída do senador Renan Calheiros da Presidência do Senado; além de propostas concretas de melhorias no transporte público, saúde, educação e segurança.
Dia do Basta
Outras manifestações estão previstas. Para o sábado (22), a programação é de mais um protesto, realizado a partir das 16h30 em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da capital. Os organizadores pedem que os manifestantes usem a bandeira do Brasil em volta do corpo já que, segundo a Constituição, não pode existir nenhum ato contra alguém que detém a bandeira por se constituir crime. O estudante Sérgio Costa utilizou a página na mídia social Facebook para fazer um apelo. “Isso é um movimento pacífico. Por favor, não utilizem o vandalismo”. Até o momento, não há nenhum posicionamento por parte do governo estadual à respeito das manifestações.
Rondônia
Em Rondônia, manifestações estão marcadas para acontecer na próxima quinta-feira (20). A mobilização é organizada por uma mídia social na Internet e por mensagens via Whatsapp – aplicativo de troca de mensagens entre smartphones. Em Porto Velho, a concentração acontece às 17h no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), no Centro.
Em outras cidades também haverá manifestações. Na cidade de Ariquemes (a 300 quilômetros da capital), a reunião é em frente ao colégio Heitor Villa Lobos às 16h. Em Ji-Paraná, aproximadamente 500 quilômetros de Porto Velho, o encontro é na Praça do Teatro Dominguinhos às 18h.
No Estado, as manifestações tomaram força pela internet. Criado em uma rede social na sexta-feira (14), mais de três mil pessoas confirmaram presença no #VemPraRuaPVH.
Na tarde do último domingo (16) pessoas foram às ruas da capital para pedir melhorias no transporte público e ações efetivas do executivo municipal e do governo do Estado. As manifestações também se uniram as greves que acontecem em Rondônia.
Os manifestantes se reuniram no complexo da EFMM e caminharam pela avenida 7 de setembro até a sede da Prefeitura. De acordo com o organizador da manifestação, José Luiz Pinheiro, a passeata foi pacata e não houve depredação do patrimônio público. Duas viaturas da Polícia Militar (PM) acompanharam o protesto.
Colaborou: Anne Moura, Vinícius Teixeira, Camila Costa, Paula Monteiro, Michel Guerreiro e Izinha Toscano.
Fonte: Portal Amazônia
